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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Folha defende Gilmar Mendes ainda antes dos manifestos

Por Humberto Carvalho Jr.

Numa tentativa desesperada de recuperar a imagem do Supremo Tribunal Federal e seu presidente, o paladino da justiça e da democracia Gilmar Mendes, a Folha de S. Paulo se antecipou aos manifestos marcados para esta quarta-feira (6), às 19h, em diversas capitais do país e em frente ao STF. O diário paulista revelou um Mendes desconhecido por nós, vítima de acusações levianas.

O repórter Márcio Falcão, autor da notícia sobre a indiferença de Mendes aos protestos, usou das aspas com bastante esperteza, passando a idéia de imparcialidade. Veja, no trecho, como o jornalista narra a discussão entre o ministro Barbosa e Mendes:
As manifestações contra Mendes se acenturam há duas semanas, quando ele protagonizou um bate-boca com o colega Joaquim Barbosa. Na ocasião, o presidente do STF foi acusado pelo colega de "destruir a Justiça" do país. Disse ainda que Mendes deveria sair às ruas, e não na mídia. Mendes pediu respeito a Barbosa, que chegou a afirmar que Mendes não estava falando com os seus "capangas de Mato Grosso".
Nota-se que o texto de Folha condena as declarações de Barbosa, que teve a audácia de insinuar que o presidente do STF possui capangas em seu berço político. Mais: o jornalista , diferentemente de todos que assistiram ao vídeo, lembra que somente Mendes pediu respeito. Tais críticas não fariam sentido algum se a imprensa nativa não se mostrassem tão apegadas ao dogma de apreensão da realidade, com objetividade e isenção.

A liberdade de imprensa, agora mais do que nunca com a revogação da Lei de Imprensa, está aí para permitir a publicação de todo o tipo de libertinagem, inclusive panfletos reacionários como Veja, Folha e muitos outros. Cobra-se da imprensa apenas o que ela promete. E o leitor/ espectador/ ouvinte cobra à sua maneira. Veja, abaixo, a reportagem do noticiário da TV Record que aborda a diminuição da tiragem do ainda mais vendido jornal do país, a Folha.



O movimento "Saia às ruas Gilmar" pretende reunir 10 mil pessoas na Praça dos Três Poderes, hoje, em protesto a postura de Mendes à frente do STF.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Trabalho Escravo ainda assola o Brasil

Por Humberto Carvalho Jr.

Neste 1º de maio, Dia do Trabalhador, optei por uma homenagem mais condizente com a realidade do trabalho em nosso país. Como todo o conteúdo desta página, a intenção é mostrar o que a grande imprensa nativa, defensora dos interesses da elite, jamais mostrará. Garanto , ao menos, que esta mídia nunca apresentará conteúdo qualquer com este enquadramento.

Refiro-me ao documentário "Aprisionados por promessas: a escravidão rural contemporânea no Brasil", um vídeo produzido em 2006 pela Comissão Pastoral da Terra, em parceria com o Centro pela Justiça e o Direito Internacional e a Witness. Com base nos depoimentos de de trabalhadores rurais ex- escravidos e pessoas que trabalham no combate ao trabalho escravo, o vídeo retrada a situação de trabalhadores aliciados e escravizados em fazendas e carvoarias, bem como os principais desafios para a erradicação desse tipo de crime no país.

Segundo o video, autoridades brasileiras assumiram que cerca de 25 mil trabalhadores rurais entram em regime de escravidão a cada ano. Porém, ainda de acordo com o mesmo, desde o início das fiscalizações em 1995, nenhum dos proprietários de terra foi preso pelo crime de Trabalho Escravo.

Progresso a qualquer custo: este é o tipo de progresso idealizado pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, e todos os outros políticos neoliberalistas, apoiados pelas maiores empresas de comunicação do Brasil. Assista ao vídeo "Aprisionados por promessas" e tire suas próprias conclusões sobre o modelo de desenvolvimento vigente em nosso país.


Em 2003, o Ministério do Trabalho começou a publicar uma "Lista Suja" com os nomes dos proprietários flagrados com trabalhadores em regime de escravidão em suas fazendas. A relação é atualizada semestralmente. A partir de sua última atualização, em de 2009, o cadastro contém 205 infratores, entre pessoas físicas e jurídicas, não computados os casos de exclusão determinados por decisão judicial. Para ter acesso à lista, clique aqui.

Mais da metade de todas as terras férteis do país está nas mãos de apenas 3% de proprietários.

* Com informações do website Repórter Brasil.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Governador de Roraima chama índios de animais

Por Humberto Carvalho Jr.

Irritado com a decisão do Supremo Tribunal Federal, que negou a prorrogação do prazo para a desocupação da Raposa Serra do Sol, o governador de Roraima, José de Anchieta Junior (PSDB), chamou os índois de animais nesta quinta-feira (30). "Sem o elo com o branco, isso vai virar um zoológico humano. São animais humanos, infelizmente", disse o governador tucano.

Talvez nem mesmo a Carta a el-rei D. Manuel, de Pero Vaz de Caminha, que completa hoje 509 anos, tenha um tom etnocêntrico quanto o infausto discurso de Anchieta Junior. Se analisarmos do ponto de vista da classe para a qual o PSDB governa, não há uma letra sequer fora do lugar. O governador apenas externou o que a elite nativa pensa a respeito dos índios. E, por mais absurdo que pareça, os brancos da declaração do governador tucano, aqueles cujos os índios serão privados do convívio, pensam como o político que os representa.

Mas, enfim, ainda há quem creia no descobrimento do Brasil e muitas outras lendas da história da "civilização'.

As palavras de Anchieta Junior não difere em nada à tese publicada na última edição de Veja sobre a discussão no STF. Segundo o panfleto (Veja), o ministro Joaquim Barbosa ocupa o cargo somente porque o presidente Lula precisar de um negro no STF, e não por competência (leia mais aqui).

Assista, abaixo, ao vídeo da entrevista veiculada no Jornal Nacional (30/04/09).


Só para lembrar, pesam sobre o governador de Roraima três acusações: uso de evento para a concessão de 36.671 benefícios do programa estadual Vale Solidário para benefício eleitoral, renovação de 1.050 bolsas de estudos universitários às vésperas do pleito e concessão, dois dias antes da eleição, de renúncia de receita a empresas de transportes e telecomunicações sem aprovação da Assembléia Legislativa.

Manifesto cobra ao ministro do STF , Gilmar Mendes, que saia às ruas

Por Humberto Carvalho Jr.

"Gilmar Mendes: 'saia às ruas' e não volte ao STF". Estas são as palavras de ordem da mais nova campanha contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, com manifestação marcada para as 19h da próxima quarta-feira (6), em frente ao prédio do STF. O cartaz da campanha (veja a figura ao lado) lembra para que os participantes levem suas velas.

"Não haverá uma nova luz sobre o Judiciário, enquanto não terminarmos a luta que o povo brasileiro começou há 30 anos. Chegou a hora de concluir a transição democrática, de sair às ruas e iluminar a nossa história com novo choque de liberdade. O povo já tirou o Collor e tirará Gilmar Mendes", conclui o texto do manifesto Luz em nossa democracia, publicado no webblog da campanha.

Para mais informações acesse saiagilmar.blogspot.com/



segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gilmar Mendes finalmente é chamado às falas, e "ao vivo"

Por Humberto Carvalho Jr.

Depois de “chamar às falas” o presidente Lula por duas vezes, finalmente chegou a vez do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ser chamado às falas. O ministro da Justiça Joaquim Barbosa desmascarou o presidente do STF, acusando-o de estar “destruindo a credibilidade da Justiça brasileira”. O melhor é que o sermão, inevitavelmente, foi transmitido “ao vivo” em rede nacional. Assista ao vídeo abaixo.

Professores, alunos e ex-alunos da UnB (Universidade de Brasília) protestaram em frente ao prédio da Suprema Corte contra o presidente Gilmar Mendes. “Gilmar, saia às ruas e não volte ao STF”, dizia a faixa carregada pelos manifestantes. O professor João Francisco Araújo disse que o ato de apoio a Joaquim Barbosa era necessário para mostrar que as queixas do ministro são compartilhadas pela sociedade brasileira.

O protesto foi publicado apenas pelo jornal da “ditabranda”, Folha de S. Paulo. Ainda assim, em segundo plano, abaixo da matéria sobre a nota de apoio a Mendes, emitida na última sexta-feira (24) pelo partido do ex-PFL (DEM). Para o presidente nacional do partido, Rodrigo Viana, o ministro Mendes, “exemplo de homem público que age com correção e profunda consciência institucional” (agora, leitor, pode vomitar!), foi vítima de “agressões e expressões insultuosas”.

Como costumo evitar a publicação de conteúdo pornográfico neste blog, quem tiver interesse em ler a nota dos demos em apoio ao presidente do STF na íntegra pode clicar aqui.

Obviamente, nenhuma das acusações levantadas pelo ministro Barbosa serão levadas em conta pela imprensa corporativa brasileira. Afinal, trata-se de um dos maiores paladinos dos interesses da elite nacional. Dizendo mais seria redundante.

Professor de Sociologia, Colunista do website Agência Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa, Gilson Caroni Filho deixa claro quem é o presidente do STF:

“Gilmar Mendes se destaca pelo senso de urgência no que julga ser seu principal papel como magistrado: dar sustentação jurídica às teses da oposição parlamentar no combate ao governo Lula. Mas o faz de forma tão atabalhoada que constrange até mesmo os “bons companheiros” das grandes redações. Aqueles que, desolados, vêem a imprensa estrangeira fazer uma leitura totalmente distinta dos recortes que elaboram diariamente.

Nessa empreitada, o presidente do Supremo tem sido alvo de crítica dos que lutam pela ampliação de direitos, pela criação de um ordenamento inclusivo, de uma legalidade que não seja restrita a um ordenamento institucional de distribuição de privilégios”.

O ministro Barbosa, que há alguns anos foi considerado herói pelo panfleto direitista Veja, já sofre com os ataques da mídia gorda. A mesma publicação que o colocou na capa como esperança de justiça no país, quando ele denunciou os 39 acusados no “mensalão” (ainda não provado), agora tenta menoscabar sua imagem.

O jornalista Paulo Henrique Amorim enumerou as seguintes ofensas publicadas em reportagem de Veja (págs.78 e 79) desta semana:

1) Barbosa deu uma de índio (no sentido pejorativo);

2) As acusações de Barbosa a Gilmar eram sem fundamento: logo, Barbosa mentiu;

3) Barbosa perdeu de vez a “compostura” (adjetivo que o PiG usa para desqualificar Barbosa, como se Gilmar fosse um “temperado” … (***))

4) Barbosa agiu de maneira inadequada (como se enlamear a imagem do Supremo fosse “adequado” …);

5) Barbosa só é Ministro porque o presidente Lula queria um negro no Supremo (****);

6) Barbosa não é um ministro, mas um procurador da República disfarçado de Ministro;

7) Barbosa é um demagogo: decide de acordo com a voz das ruas.

Antes de mais nada, a intenção foi sugerir a leitura de bons textos sobre o sermão pregado pelo ministro Barbosa em Gilmar Mendes. E ainda, informações imprescindíveis aos que tenham interesse em conhecer a política brasileira e, sobretudo, o que representa o atual presidente do STF.

Antes, assista ao vídeo abaixo, trecho do Programa Roda Viva, veiculado em 15 de dezembro pela TVE. Mendes não consegue responder o que o motivou a conceder habeas corpus duas vezes ao banqueiro Daniel Dantas, condenado a dez anos de prisão por suborno a um delegado da Polícia Federal, e tenta, ainda, desmerecer a revista semanal Carta Capital, que já publicou diversas reportagens que denunciam seus deslizes e suas relações espúrias na política.

Depois de assistir aos vídeos e ler os textos abaixo, o que você acha de Gilmar Mendes ocupar a mais alta corte do país? Poderá haver justiça no Brasil? Opine.

Sugestões de Leitura:

A nudez de Gilmar Mendes, de Gilson Caroni Filho.

A Terra dos Mendes, do jornalista Leandro Fortes.

Ministro Barbosa, Quem mandou levar a Veja a Sério ?, do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Joaquim Barbosa, Herói. Palavra de Veja, publicado em Vi O Mundo (Original aqui).

Quem são os capangas de Mendes, do jornalista Luiz Azenha.

Por que a mídia e Gilmar vão mudar de assunto rapidinho?, também de Luiz Azenha.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Educação e Segurança na Bahia continuam sob cartilha carlista

Por Humberto Carvalho Jr.

Alunos do Colégio Estadual Thales de Azevedo fecharam a rua Adelaide Fernandes da Costa, no bairro do Stiep, nesta quinta-feira (23), em protesto contra a falta de professores, segurança e infraestrutura do colégio. Para liberar a passagem de um carro, um tenente empurra um aluno e ameaça sacar sua arma. O “policial” levou o aluno para a viatura sob ameaça de desacato.

Apesar da cena absurda, o comandante da 39ª Companhia da Polícia Militar, major Henrique Melo, disse que tudo não passou de um desentendimento entre o aluno e o policial da companhia. Assista ao vídeo aqui.

Não bastasse o descaso do Governo Wagner com a educação, os baianos ainda têm de aceitar, sabe-se lá até quando, a truculência da Polícia Militar, sobretudo em ações de repressão às manifestações e movimentos populares.

Em julho do ano passado, movimentos e organizações sociais baianas enviaram carta aberta ao governador, alertando para o crescimento da violência no estado. Ainda assim, Jaques Wagner manteve os quadros carlistas na Segurança (leia mais aqui). E, certamente, espera algum episódio mais infausto que um ordinário desentendimento entre um policial e um estudante da rede pública para ao menos fazer de conta que perdeu a cartilha que ACM esqueceu no Palácio de Ondina.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Jornalista americano diz que o MST é exemplo para os Estados Unidos

Por Humberto Carvalho Jr.

Jornalista do diário americano The Nation, Immanuel Wallerstein, analizou a atual fase política de seu país e apontou o Brasil como um modelo a ser seguido. No artigo, ele afirma ainda que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) poderia ser um bom exemplo para a esquerda estadunidense, se tivéssem algum movimento social semelhante ao menos em força. "Em minha opinião, a única atitude sensata é aquela tomada pelo grande, poderoso e militante Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Brasil", disse ainda o jornalista.

Parece bem sensata a interpretação de Wallerstein, que enxerga a crise econômica como um claro sintoma de falência do capitalismo, assim como a possibilidade da esquerda ao menos impedir que novo sistema mundial seja ainda pior que o atual.
"Parece haver duas ocasiões que exigem dois planos para a esquerda mundial, e em particular a estadunidense. A primeira ocasião é de curto prazo. O mundo está numa profunda depressão, que só vai piorar pelo menos no próximo ou em dois anos. O curto prazo imediato concerne ao desemprego que muita gente está enfrentando,o rebaixamento de salários e em muitos casos a perda das casas. Se os movimentos de esquerda não têm planos para esse cenário de curto prazo, eles não podem estabelecer uma conexão, em sentido algum, com a maior parte das pessoas.

A segunda ocasião é a crise estrutural do capitalismo como sistema mundial, que enfrenta, em minha opinião, sua extinção nos próximos vinte ou quarenta anos. Esse é o cenário no médio prazo. E se a esquerda não tem planos para o médio prazo, o que substituirá o capitalismo como sistema mundial será algo pior, provavelmente muito pior do que o terrível sistema que se tem vivido nos últimos cinco séculos".
Leia o texto originalmente publicado no diário americano The Nation aqui.Itálico

Leia o texto traduzido no website da Agência Carta Maior.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Programa da Tv Educativa do Paraná discute a mídia brasileira

Por Humberto Carvalho Jr.

Embora poucos aceitem a possibilidade de um programa de TV abrir espaço para um debate sobre a mídia brasileira, aconteceu. No início deste mês, foi ao ar pela Tv Paraná Educativa o programa Brasil Nação sobre o tema. Apresentado pelo jornalista Beto Almeida, o programa vai ao ar de 21h30 às 23h, aos domingos

Assista abaixo um trecho do programa em que os jornalistas Luiz Azenha (Vi O Mundo), Leandro Fortes (Carta Capital) e Alípio Freire (Brasil de Fato), participaram do debate.

sábado, 28 de março de 2009

Jornalista denuncia censura de programa da TV Cãmara por Gilmar Mendes

Por Humberto Carvalho Jr.*

O jornalista da revista Carta Capital, Leandro Fortes publicou uma carta aberta aos colegas de profissão brasileiros, denunciando a prática de censura cometida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Dantas Mendes.

Assista abaixo o trecho da entrevista de Fortes no programa Comitê de Imprensa, veiculado no dia 11/03, onde o jornalista explica as motivações de Mendes para censurar um dos programas da TV Câmara.

 

 Leia a carta na íntegra: 

"No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.

Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa. 

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista Carta Capital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes

Jornalista

Brasília, 19 de março de 2009

 

*Com informações do website Carta Maior

quarta-feira, 18 de março de 2009

Roberto Requião pede prisão de Dantas e defende MST e Protógenes em discurso

Por Humberto Carvalho Jr.

Além de defender o MST e o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, ambos condenados pela revista Veja, o governador do Paraná, Roberto Requião, odiado pela mídia corporativa brasileira, enfrentou manifestantes que defendiam produtos da Monsanto. Veja o vídeo abaixo.