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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Hoyo Colorao: Diga não!

Por Humberto Carvalho Jr.

Além da batida marcante do Hip Hop, “Dí Que No”, canção antibelicista que consagrou o grupo cubano Hoyo Colorao dentro e fora da ilha, encanta pela letra forte.

Hoyo Colorao é um projeto musical fundado pelos amigos Karoll William Perez Zambrano e Humberto Escuela Fernandez no ano de 2000. Depois do sucesso da faixa “Dí Que No”, a banda teve que se preparar para um trabalho cada vez mais profissional. “Cada tema se converte em crônica social, abordando fenômenos do mundo moderno e a posição do homem ante a vida social atual", assim o grupo afirma a importância de suas letras.

Acesse a homepage da banda Hoyo Colorao e saiba um pouco mais sobre a sua história e obra.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Brizola também desmascarou a Globo


Por Humberto Carvalho Jr.


Assista, abaixo, um vídeo do Leonel Brizola comentando sobre as Organizações Globo. Apesar de ter sido veiculado durante as eleições presidenciais de 1989, o vídeo é bastante atual.


Indicado pelo Blog do Mello.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Política com confetes

Por Humberto Carvalho Jr.

Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval!”. O trecho da música Linha de Passe (1979), composição de João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, revela-se bastante oportuno neste momento, quando o carnaval ganha as ruas da capital baiana, nesta quinta-feira (11).

O verso revela como os problemas sociais são habitualmente abafados pelas festas populares, e especialmente durante as comemorações momescas .

Carnaval é tempo em que a cuíca toca em tom maior, acompanhada do batuque ensurdecedor de tambores e marcações de pancada grave, muito mais grave... É a vez do Rebolation, “a dança do verão”, anunciam os noticíarios. Os manifestantes trocam as frases de protesto pelo festival de onomatopéias (Aê, aê, aê, aê. Ê, ê, ê, ê) dos refrões do que chamam de música baiana. Por aí, vai... Tira o pé do chão que o trio não pára, não pára, não pára, não.

Enfim, a intenção não é discutir o valor econômico-cultural da “maior festa popular do mundo”, o Carnaval de Salvador, embora este seja, sem dúvida alguma, um dos retratos mais fiéis da divisão de classes, da evolução das formas de exclusão social, aprimoradas desde a relação afável entre a casa grande e a senzala.

Há um outro contexto ainda mais favorável ao resgate do exceto de Linha de Passe, imortalizada na voz do extraordinário cantor e compositor mineiro, João Bosco, ao ilustrar de forma ainda mais lúcida como terminará o debate sobre as declarações insolentes do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB).

Em entrevista ao ex-prefeito e radialista roufenho Mário Kértsz, na última segunda-feira (2), o prefeito tirou o braço da seringa e responsabilizou a população pelos principais problemas da capital.

Para JHC, a sujeira nas ruas, não passa de um problema de falta de educação dos soteropolitanos. “Agora no verão, na região do Farol e do Porto da Barra, a gente está fazendo de dez a 12 varrições por dia; o mesmo no Centro Histórico. Quer dizer, por mais que a gente limpe as pessoas não se cansam de jogar o lixo nas ruas. Há que se levar em conta também isso. Nós temos aí uma demanda infinita, é o tempo todo varrendo”, reclamou ele, aproveitando para criticar pichadores e vândalos.

Salvador é um canteiro de obras inacabadas, algumas até paralisadas, como o metrô, que completou sua primeira década de obra. Entre as únicas metrópoles brasileiras sem metrô, a cidade do maior carnaval do mundo possui cerca de 2.500 ônibus para transportar 40 milhões de passageiros, número suficiente segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageitros de Salvador (Leia mais sobre os dez anos de obra do metrô aqui, e sobre as novas denúncias de superfaturamento aqui).

Ainda assim, o peemidebista teve coragem de atribuir a culpa do trânsito caótico às revendedoras de automóveis, que, segundo ele, “despejam milhares de carros nas ruas baianas”, ao “vender veículos sem entrada e em 80 parcelas”.

A situação política local amarga ainda a ausência de uma imprensa crítica, de veículos informativos que questionem as ações dos personagens políticos, que transitam tranquilos mesmo após declarar tamanhas barbaridades.

O jornal A Tarde, o impresso mais vendido no estado, limitou-se a caracterizar o discurso do prefeito como uma bronca na população. Podemos chamar isso de cobertura jornalística? Do que que chamar isso?



Fonte:

Com informações do A Tarde Online e Vermelho.Org.

Leia mais:

De quem é a culpa das irregularidades na execução do Metrô de Salvador? Existe currupção e superfaturamento?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A culpa é dos pretos e pobres: o JN e a batalha contra as igualdades sociais

Por Humberto Carvalho Jr.

Abertamente contrário à política de cotas nas universidades federais, medida utilizada pelo governo Lula para tornar o acesso à educação superior menos desigual, o Jornal Nacional criticou novamente o programa (Leia Para a Rede Globo racismo no Brasil é mito, publicado aqui).

Porta voz da elite inconformada com as mudanças sociais, ainda que bastante frágeis, promovidas pelo atual governo, o principal noticiário da “vênus platinada” noticiou, na última sexta-feira (5), a insatisfação dos alunos de escolas particulares do recife com os resultados do vestibular da Universidade Federal de Sergipe.



“Estudantes de escolas particulares recorreram à Justiça para conseguir matrícula na Universidade Federal de Sergipe. Eles dizem que apesar de terem feito mais pontos no vestibular que alunos aprovados, ficaram de fora por causa do sistema de cotas”, anuncia a matéria a apresentadora Fátima Bernardes.

Somente duas declarações contrariam o que todo o conteúdo da matéria tenta provar: tudo por culpa dos pretos e pobres. As falas de Vanessa Santos Oliveira, aluna que obteve uma das vagas para cotistas, e do pró-reitor da Universidade Federal de Sergipe Sandro Holanda são incluídos apenas para manter a farsa da objetividade, da imparcialidade.

Note que, após o pró-reitor afirmar que trata-se de uma forma de corrigir as desigualdades do processo seletivo das universidades, a matéria é fechada com uma idéia de oposição.

“Mas para os estudantes da rede particular, a competição para os cursos concorridos, como engenharia e medicina, ficou ainda mais difícil. ‘Só são cem vagas e, das cem vagas, 50% ser para cotista. O que já era difícil agora é quase impossível’, disse a estudante Cecília Andrade.”

Em nenhum momento do processo de produção do material informativo (pauta, apuração, seleção e edição) o enquadramento foi esquecido. Um produto, desde a sua primeira fase, arquitetado para comunicar uma idéia (também ideologia) da forma mais eficaz possível. O vídeo induz o telespectador a aceitar como o sistema de cotas raciais é injusto.

Por que a notícia sobre a reinvindicação dos alunos brancos não foi nem será conxtextualizada? Simplesmente, porque não há interesse em fazer a população saber que afrodescendentes, índígenas e outros grupos incluídos no programa têm dificuldades para ingressar numa universidade por não ter as mesmas condições soócio-econômicas dos alunos brancos de escolas particulares. E mais, que os que ficam de fora representam maioria.

O tema merece maior reflexão, sim. Mas não pelo aspecto levantado pela grande imprensa, um dos setores mais conservadores da sociedade, sobretudo a nossa. Por isso, sugiro a leitura da cartilha “Cotas raciais: por que sim?”, publicada em parceria pelo Ibase e Observatório da Cidadania (RJ), em 2006.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mídia e ideologia: realidades políticas pelas lentes da grande imprensa brasileira


Por Humberto Carvalho Jr.


"Manifestações de estudantes contra o governo Hugo Chávez foram reprimidas com violência hoje na Venezuela. E Chavez acusou a oposição de planejar um golpe de estado, como conta os enviados especiais Carlos De Lannoy e Eduardo Aragona", anuncia a matéria, o apresentador do JN, William Hommer (eu quis dizer Bonner).

Com duas frases curtas e simples, conforme manda o receituário do telejornalismo asséptico, o galã de cabelos precocemente grisalhos, comandante do principal noticiário do império de comunicação da família Marinho, ignora a história recente da Venezuela e reforça a imagem de um Chávez ditador (video aqui).

É ainda o mesmo modelo de jornalismo imparcial, objetivo e plural que, deliberadamente, ignorou o golpe militar contra o governo Chávez, em 12 de abril de 2002, na Venezuela.

No artigo “O golpe de Estado e o noticiário”, publicado no website do Observatório da Imprensa, Ivo Lucchesi faz uma análise bastante lúcida da cobertura jornalística dos meios de comunicação brasileiros acerca do golpe:

A "grande" imprensa, cujo olhar parece insistir em ser "pequeno", sob os ditames da Nova Ordem Mundial, submeteu-se a mais um "teste de fidelidade": quanto resistirá a "camisa-de-força"? O noticiário inicial abusou na relutância em respeitar a ferramenta básica da informação: a objetividade. O ocorrido na Venezuela não poderia, jornalisticamente, merecer outra manchete, diferente de "Golpe de Estado na Venezuela". No entanto, a "grande" imprensa brasileira preferiu, uma vez mais, "romancear" o acontecimento, estampando chamadas como: "Venezuela se une e depõe Chávez", acrescida da seguinte linha-fina: "Presidente cai em meio a protesto de milhares de manifestantes e rebelião de militares" (Jornal do Brasil, 12/4/02). No mesmo exemplar, em página interna, a chamada era: "Generais forçam renúncia de Chávez". É flagrante a disjunção semântica entre os dois enunciados. No primeiro, revitaliza-se o antigo slogan "a união faz a força"; no segundo, pode-se deduzir o oposto, "a força faz a união". Ou não?

Estaremos diante de um fato a atestar incompetência jornalística ou manipulação da informação? Em edição de 13/4, a manchete da Folha de S. Paulo destacava: "Militares depõem Chávez; civil toma posse e dissolve poderes". Na mesma data, o Jornal do Brasil noticiava: "Militares prendem Chávez, fecham Congresso e assumem poder no país". Afinal, quem, nesse pífio enredo, fez o quê? E mais: quem, nessa trama de folhetim barato e surrado, tem poder real? Essa é a pergunta a provocar os limitados redutos da informação. Fora daí, é mais uma "fofoca palaciana" (leia na íntegra aqui).
O contexto deixado de lado (quanta generosidade!) pelas grandes empresas de comunicação do Brasil nada tem a ver com incompetência profissional dos que apuraram o fato. Não são distorções involuntárias ocasionadas pelas rotinas de produção jornalísticas. Trata-se de claras tentativas de apagar as semelhanças com a mídia Venezuelana, co-autora do golpe de 2002, contra o governo Chávez.

O documentário The Revolution Will Not Be Televised (A revolução não será televisionada), produzido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O'Briain, mostra como a mídia venezuelana contribuiu para a realização do golpe, manipulando as informações.

Conforme relatam no filme, os cineastas estavam no país para fazer um filme sobre o presidente Chávez e o governo bolivariano, quando foram surpreendidos pelos acontecimentos que culminaram no golpe. O vídeo revela de maneira as espúrias relaçõesd a grande mídia com a elite econômica, militares dissidentes e a articulação dos EUA na manipulação dos fatos.

Assista ao vídeo, abaixo, e descubra o que a imprensa gorda de nosso país tenta nos esconder.



Agora, depois de assistir ao documentário, você percebeu que não há coincidências. Só semelhanças.

Em países como o nosso, tanto os meios de produção material como os simbólicos pertencem à elite econômica. E, obviamente, a elite usa das ferramentas que possui para manter o status quo ou fazer com que o povo aceite o seu modelo de democracia.

Os meios de comunicação de massa são, agora mais do que nunca, armas político-ideológica em defesa dos princípios neoliberais. Em detrimento do dever de informar a sociedade, prevalecem os interesses de classe, os anseios dos patrões, dos anunciantes.

Isso certamente explica o comportamento agressivo da mídia, sobretudo neste período de crise do capitalismo, quando o sistema que permite a sua existência nesses moldes revela-se falido ou em iminente perigo.

Apesar de se apresentar como a grande defensora da liberdade, a imprensa comercial sempre tenta privar a sociedade de debates que objetivem a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Poderíamos dar diversos exemplos, porém o Programa Nacional de Direitos Humanos é o bastante. Antes mesmo de concretizar qualquer das propostas objetivadas no documento, PNDH-3 do ministro Vannuchi, Secretaria Especial de Direitos Humanos, já saiu vitorioso. O projeto conseguiu unir a mídia, religiosos, ruralistas e militares, obviamente que contra o projeto.

Muitos itens do programa aterrorizam as entidades patronais de comunicação, mas a diretriz 22, primeira iniciativa concreta do Estado para regulamentar o artigo 221 da Constituição de 1988 desde a sua promulgação, propõe punições, como suspenção da programação e publicidade, para os veículos que desrespeitarem o artigo.

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão
atenderão aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção
independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística,
conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Sobre o PNDH-3 sugiro a leitura do artigo Quem perde é a democracia, do teórico e articulista Venício Artur de Lima, publicado no website da Agência Carta Maior (clique aqui). O teórico mostra como a mídia tem agido ultimamente para minar as possibilidades de concretizar uma verdadeira democracia no Brasil.

Ele lembra que imprensa brasileira tem se colocado acima das leis, recusando-se a debater, além de boicotar conferências, distorcer e omitir informações e satanizar movimentos e grupos políticos que não compartilham seus interesses.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Veja desmascarada pelo MST

Fonte: Mst.org


NOTA DO MST-PA SOBRE REPORTAGEM DA REVISTA VEJA

1 - O MST do Pará esclarece que não tem nenhuma fazenda ocupada no município de Tailândia, como afirma a reportagem da Revista Veja “Predadores da floresta” nesta semana. Não temos nenhuma relação com as atividades nessa área. A Veja continua usando seus tradicionais métodos de mentir e repetir mentiras contra os movimentos sociais para desmoralizá-los, como lhes ensinou seu mestre Joseph Goebbels. A reportagem optou por atacar mais uma vez o MST e abriu mão de informar que o nosso movimento não tem base social nesse município, dando mais um exemplo de falta de respeito aos seus leitores.

2 - A área mencionada pela reportagem está em uma das regiões onde mais se desmata no Pará, com um índice elevado de destruição de floresta por causa da expansão do latifúndio e de madeireiras. Em 2007, a região de Tailândia sofreu uma intervenção da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, e latifundiários e donos de serrarias foram multados pelo desmatamento. Os madeireiros e as empresas guseiras estimulam o desmatamento para produzir o carvão vegetal para as siderúrgicas, que exportam a sua produção. Por que a Veja não denuncia essas empresas?

3 - Na nossa proposta e prática de Reforma Agrária e de organização das famílias assentadas, defendemos a recuperação das áreas degradas e a suspensão dos projetos de colonização na Amazônia. Defendemos o “Desmatamento Zero” e a desapropriação de latifúndios desmatados para transformá-los em áreas de produção de alimentos para as populações das cidades próximas. Também defendemos a proibição da venda de áreas na Amazônia para bancos e empresas transnacionais, que ameaçam a floresta com a sua expansão predatória (como fazem o Banco Opportunity, a Cargill e a Alcoa, entre outras empresas).

4 - A Veja tem a única missão de atacar sistematicamente o MST e a organização dos camponeses da Amazônia, para esconder e defender os privilégios dos verdadeiros saqueadores das riquezas naturais. Os que desmatam as florestas para o plantio de soja, eucalipto e para a pecuária extensiva no Pará não são os sem-terra. Esse tipo de exploração é uma necessidade do modelo econômico agroexportador implementado no Estado, a partir da espoliação e apropriação dos recursos naturais, baseado no latifúndio, nas madeireiras, no projeto de exportação mineral e no agronegócio.

5 - Por último, gostaríamos de comunicar à sociedade brasileira que estamos construindo o primeiro assentamento Agroflorestal, com 120 famílias nos municípios de Pacajá, Breu Branco e Tucuruí, no sudeste do Estado, em uma área de 5200 hectares de floresta. Nessa área, extraímos de forma auto-sustentável e garantimos renda da floresta para os trabalhadores rurais, que estão organizados de maneira a conservar a floresta e o desenvolvimento do assentamento.

Direção Estadual do MST do Pará
Marabá, 12 de janeiro de 2010

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ao "Dia do Samba"

Nascido em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, o filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa, Noel Rosa é merecidamente o homenageado do Dia do Samba, neste ano.

Criado em Vila Isabel, bairro carioca, o garoto estudou no tradicional Colégio São Bento, onde fazia a alegria de seus colegas tocando bandolin. Mais tarde ele foi para a Faculdade de Medicina, mas desistiu logo. À época, Noel já tocava violão muito bem e tornara-se bastante conhecido na boemia da cidade.

Nas noitadas regadas à cervejas e sambas, o “Poeta da Vila” encontrou sua verdadeira vocação. Abandonou o sonho dos pais para seguir a carreira de sambista. Resultado: Noel Rosa consagrou-se como um dos melhores compositores da chamada “Época de Ouro” da MPB.

Abaixo, você pode ler Tarzan (O Filho do Alfaiate), uma das minhas preferidas.



Noel Rosa: Tarzan, O Filho do Alfaiate


Quem foi que disse que eu era forte?
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
A minha força bruta reside
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
Minha armadura é de casimira dura
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer

Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
A todas as pequenas lá da praia de manhã
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'

De lutas não entendo abacate
Pois o meu grande alfaiate não faz roupa pra brigar
Sou incapaz de machucar uma formiga
Não há homem que consiga nos meus músculos pegar
Cheguei até a ser contratado
Pra subir em um tablado, pra vencer um campeão
Mas a empresa, pra evitar assassinato
Rasgou logo o meu contrato quando me viu sem roupão

Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
A todas as pequenas lá da praia de manhã
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'

Quem foi que disse que eu era forte?
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
A minha força bruta reside
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
Minha armadura é de casimira dura
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Intervozes: Levante Sua Voz

Inspirado no documentaŕio de Jorge Furtado, Ilha das Flores (1989), o vídeo Levante Sua Voz, produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, revela a concentração dos meios de comunicação no Brasil.

A mensagem central do curta é a urgência da democratização dos meios de comunicação de massa, que atualmente são controlados por menos de dez famílias.



Ficha técnica:

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e- câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

Acesse o Observatório do Direito à Comunicação!

domingo, 15 de novembro de 2009

Sexta-feira 13 causou acidente do Rodoanel em São Paulo

Por Humberto Carvalho Jr.

Para o Partido da Imprensa Golpista (PIG), a tragédia do Rodoanel, em São Paulo, ocorrida na última sexta-feira (13), não passou de um fato de má sorte comum a data. Ao menos, é assim que deveríamos entender o acidente se acompanharmos o raciocínio dos donos da mídia.

Veja abaixo, manchete do website G1, da Rede Globo, no sábado (14). A imagem foi publicada pelo weblog Cloaca News. Clique na imagem para acessar a mátéria na íntegra.


Inacreditavelmente, a matéria afirma que técnicos do Instituto de Criminalística investigarão o acidente para saber se houve falha na execução da obra. "Eles vão analisar se as vigas estavam bem presas no viaduto", ridiculariza o portal de notícias. Comprovarão apenas o óbvio, inclusive as irregularidade já denunciadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Auditoria realizada, em 2008, pelo TCU revelou que o consórcio formado pelas empreiteiras OAS, Mendes Júnior e Carioca alterou o projeto básico da obra para baratear o custo dos viadutos. Segundo reportagem de Adriana Ferraz, do jornal Agora, o superfaturamento na construção do trecho sul do Rodoanel apontam prejuízo de cerca de R$ 180 milhoẽs ao cofres públicos. Leia mais aqui.

"Jornalismo Canalha"

Contudo, tantos critérios de noticibilidade evidentes no caso não foram suficiente para ganhar as manchetes dos principais jornais do país. Na capa do maior diário paulista, Folha de S. Paulo, apesar da fotografia da cena do crime em primeiro plano, o apagão foi que ganhou destaque em letras (quase) garrafais.

Nenhuma das reportagens publicadas nos jornalões burgueses relacionaram o fato às relações espúrias entre as empreiteiras e o governo tucano. O candidato do PIG, José Serra, mais uma vez escapou ileso.

Travestida de jornalismo, a campanha continua.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

As "caetanas bobagens" de Veloso em alexandrinos de cordelista baiano

Inspirado no mestre Cuíca de Santo Amaro, o Cordelista Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-Ba, publicou em seu blog um cordel sobre o festival de baboseiras do cantor Caetano Veloso. Confira!

Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso

Eu já estava estressado
Temendo até por vingança.
Meus alunos na escola
Leitores da ‘cordelança’
E a galera em geral
Sempre a me fazer cobrança.

Todo mundo me acusando
De cordelista medroso
Omisso, conservador
Educador preguiçoso
Por não me pronunciar
Sobre Caetano Veloso.

Logo eu, trabalhador,
Um pouco alfabetizado
Baiano de Santa Bárbara
Sertanejo antenado
Acima de tudo um forte...
E por que ficar calado?

Resolvi tomar coragem
E entrei logo em ação.
Fui dialogar com o povo
E colher a opinião
Se Caetano está correto
Ou merece punição.

Lápis e papel na mão
Comecei a anotar
Tudo em versos de cordel
Da cultura popular
A respeito de Caetano
Conforme vou relatar.

— Artista santo-amarense
Amante da burguesia
Esse baiano arrogante
Cheio de filobostia
Discrimina o presidente
Esbanjando ironia.

— Caro artista prepotente
Tenha mais discernimento.
Seja um Chico Buarque
Seja Milton Nascimento
Seja a luz do Raul Seixas
Deixe de ser rabugento.

— O Caetano deveria
Ser modesto e mais gentil
Porém o seu narcisismo
Que não é nada sutil
Faz dele um homem frustrado
Por ser bem menor que Gil.

— Seu comportamento vil
É algo de outra vida
Ele insiste em muitos erros
Não cura sua ferida
Por isso sua falação
É de alma involuída.

— Caetano é um arrogante
Partidário da exclusão
O que ele fez com Lula
Faz com qualquer cidadão
Sobretudo gente humilde
Que não tem diplomação.

— Por que este cidadão
( o Caetano escleroso )
Não criticou Figueiredo
Presidente desastroso ?
Além de aproveitador
O Caetano é medroso.

— Esse Cae que ora vejo
Não representa a Bahia.
Ser o chefe da Nação
Esse invejoso queria
Mas a sua paranóia
Pouco a pouco lhe atrofia.

— Já pensou se o Caetano
Fosse então educador ?!
“Mataria” os seus alunos
Pela falta de pudor
Pela discriminação
Pelo brio de ditador.

— Ele não leu Marcos Bagno
Pois é leitor displicente.
Seu preconceito lingüístico
Contra o nosso presidente
Discrimina Santo Amaro
Terra de Assis Valente.

— Ele ofende até os mortos:
Paulo Freire, Gonzagão
Patativa do Assaré
O Catulo da Paixão
Ivone Lara, Cartola
Pixinguinha, Jamelão...

— Caetano é um imbecil
Da ditadura um amante.
Um artista egocêntrico
Decadente ambulante
Se julga intelectual
Mas é mesmo arrogante.

— A Bahia está de luto
Diante da piração
Desse artista rabugento
Que adora a exclusão,
Vaca profana, ególatra
Que quer chamar a atenção.

— Vai de reto, Caetanaz
Pega o Menino do Rio
Garoto alfabetizado
Que te provoca arrepio.
Esse sim, não é grosseiro
Nem cafona pro teu cio.

— Um burguês reacionário
Que odeia a pobreza.
Ele não gosta de negro
E só vive na moleza.
Sempre foi um lambe-botas
Do Toninho Malvadeza.

— Vou atender meu cachorro
Pois é algo salutar
Muito mais que prazeroso
Que parar pra escutar
O Caetano elitista
Que começa a definhar.

— Certamente o Caetano
Esqueceu do Gardenal.
Bem na hora da entrevista
Lá se foi o bom astral
Desandou no Estadão
Dando um show de besteiral !

— Caetano ‘Cardoso’ segue
Sempre a favor do “vento”
Por entre fotos e nomes
Sem lenço nem argumento
Vivendo só do passado,
Cada vez mais ciumento.

— Eu respeito a sua arte
Mas preciso declarar
Que quando não tá na mídia
Cae começa a atacar
Sobre tudo as pessoas
De origem popular.

— O Caetano gosta mesmo
É de gente diplomada:
Serra, Aécio, Jereissati,
Toda tribo elitizada...
Bajulou FHC
Que fez muita trapalhada.

— O Caetano discrimina
Pois está enciumado.
Na verdade, o nosso Lula
É um homem educado.
Um nordestino sensível
Muito mais que antenado.

— Dona Canô, com 100 anos
Não perdeu a lucidez.
Mas seu filho Caetano
Ficou pirado de vez
Transformando-se num “cara”
De profunda insensatez.

— Ofendeu Marina Silva
— Através do Silogismo
Mistura de Lula e Obama
Logo quer dizer racismo:
Mulher cafona, grosseira
Analfabeta – que abismo!

Adoro Mabel Veloso,
Betânia, dona Canô...
Para toda essa família
Meu carinho, meu alô.
Mas o mestre Caetanaz
Já está borocoxô!

É proibido proibir
O cordelista versar
Pois conforme disse Cae
“Gente é para brilhar”.
Então permita ao poeta
Liberdade de pensar.

Brasileiros, brasileiras
A Bahia está de luto.
Racistas em nossa terra
Radicalmente eu refuto.
Estamos envergonhados,
Todos fomos humilhados
Oh Caetano ‘involuto’.

FIM

Salvador, triste primavera de 2009