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terça-feira, 10 de março de 2009

Folha de S. Paulo é obrigada a desistir de "ditabranda"

Por Humberto Carvalho Jr.


Esta semana, a blogosfera mostrou sua força como mídia alternativa, denunciando as relações espúrias da Folha de S. Paulo com o regime ditatorial brasileiro. Após manifestação promovida pelo Movimento dos Sem Mídia neste sábado (7), e do abaixo-assinado com mais de 7 mil assinaturas repudiando o editorial “Limite a Chávez, publicado em 17 de fevereiro, o diário paulista foi obrigado admitir a irresponsabilidade no uso da expressão “ditabranda” ao referir-se à ditadura militar brasileira, embora tenha mantido as ofensas aos professores Maria Vitória Benevides e Fabio Konder Comparato.

A Folha teria sido mais feliz em outros tempos, quando a internet ainda não havia se caracterizado como um veículo com tamanho potencial de descentralização da informação. Jornalistas insatisfeitos com a forma elitista e estouvada como a grande imprensa aborda os fatos e leitores mais atentos fizeram dos blogues um importante meio alternativo para disseminação de (contra)informação. Ao refutar e (ou) analisar o conteúdo publicado pela mídia corporativa, a blogosfera tem tirado o sono dos donos e dirigentes das grandes empresas de comunicação.

"Isso mostra como nós podemos usar a internet e os blogs decentes como alternativa concreta, real e perfeitamente viável para nos desvincularmos dos jornalões, da imprensa de rabo preso", analisou a professora Benevides.

Acostumada à cordialidade morena, a Folha foi surpreendida pelas ácidas críticas dos blogueiros e, encurralada como a ditadura (só para lembrar o mesmo Elio Gaspari citado pelo Otavinho), vestiu a fantasia rasgada depois de ter dançado nua a noite inteira. Cerca de 400 pessoas participaram do ato em repúdio a utilização do termo “ditabranda” e em solidariedade aos professores ofendidos pelo jornal paulista.

Abaixo, assista ao vídeo do discurso do jornalista e ex-preso político Ivan Seixas na manifestação em frente à sede da Folha. Preso e torturado juntamente com seu pai, Joaquim Alencar de Seixas, o jornalista enviou cartas de protesto ao jornal, porém nenhuma foi publicada.

“A imprensa brasileira nos estupra psicologicamente”, disse o padre Júlio Lancelotti. Veja o vídeo abaixo. Leia, também, a entrevista concedida ao website Vermelho.

Na edição de domingo (8), Otavio Frias Filho, o diretor de Redação da Folha, publicou a seguinte nota:

"O uso da expressão "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.

Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.

A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, "de joelhos", a uma autocrítica em praça pública.

Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam."

Muito bem colocado por Seixas, “Otavinho orgulhou o pai, Otavião”. Ele admite o erro quanto ao termo “ditabranda”, mas reitera as ofensas contra Benevides e Comparato, anteriormente chamados de cínicos. Cinismo?! Um jornal como a Folha de S. Paulo, que emprestou carros de sua redação para os torturadores, entregou seus jornalistas que se opunham ao regime e teceu elogios a Garrastazú Médice, ainda se acha no direito de criar os níveis de classificação para as ditaduras. Quem não ignora a história sabe quem são os verdadeiros cínicos.

Embora seja óbvio que a mídia gorda não deixará de fazer propaganda política em prol da direita, ou do neoliberalismo (se é que isso faz alguma diferença para o leitor), o episódio talvez sirva de exemplo para o setor notar que não será tão fácil ignorar as vozes dissidentes. No mínimo, entenderam que o seu poder de manipulação tem limites cada vez mais demarcados.

Leia mais:

Manifestação põe 'Folha' e 'ditabranda' no devido lugar

"Ditabranda": a Folha admite que errou... E reincide!

terça-feira, 3 de março de 2009

Ministro Gilmar Mendes chama o presidente às falas de novo

Por Humberto Carvalho Jr.













No início desta
semana, o presidente Lula foi chamado às falas novamente pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Por meio de sua assessoria, Mendes confirmou que criticou as ocupações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra como chefe do Judiciário, e não como “cidadão” conforme acreditava o presidente.

Na quarta-feira (25), quatro dias depois do conflito em que quatro pistoleiros foram mortos por integrantes do movimento em uma fazenda localizada no município de São Joaquim do Monte (a 130 km de Recife) no sábado (21), o presidente do STF convocou entrevista coletiva, para criticar o MST. Mendes, acostumado a opinar sobre tudo e todos, condenou as ocupações em São Paulo e Pernambuco, e disse que os repasses de verbas ao movimento são ilegais.

Há quem se arrisque jogar pedra em cobertura alheia com tamanho telhado de vidro. O ditado é velho, mas não obsoleto. Só para lembrar, de acordo com reportagem da revista Carta Capital publicada em outubro de 2008, Gilmar Mendes tem participação no controle acionário do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), entidade que faturou, entre 2000 e 2008, cerca de R$ 2,4 milhões de reais em contratos com órgãos ligados ao governo federal, todos firmados sem licitação. O IDP também recebeu benefícios fiscais do governo do Distrito Federal.

Como um chefe do Judiciário "que tem responsabilidades políticas e institucionais inerentes ao cargo", Mendes deveria ter aproveitado a reunião com a mídia para explicar suas motivações para conceder, e tão rapidamente, liberdade ao banqueiro corrupto Daniel Dantas, grande financiador de campanhas eleitorais e aliciador da grande imprensa corporativa.

Em resposta às declarações do presidente do STF, segundo o jornalista Ricardo Noblat, o MST ocupou as fazendas Espírito Santo e Cedro, propriedades da Agropecuária Santa Bárbara, uma das empresas do Grupo Opportunity, pertencente a Daniel Dantas. O MST confirmou a ocupação da fazenda, mas negou que os funcionários estejam impedidos de entrar ou sair. O movimento também negou a denúncia da assessoria da empresa de que houve "matança de gado".

Para o coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, Gilmar Mendes, além de ter assumido o papel de porta-voz da direita, passou a criticar as ocupações somente depois que se agravou a relacionamento entre os sem-terra e a administração do governador paulista, José Serra (edição atual de Carta Capital). “Desde que assumiu (no STF), ele (Mendes) ataca os povos indígenas, os quilombolas, os direitos dos trabalhadores, dos operários. Defende os militares da ditadura. Enfim, a direita brasileira já tem o seu Berlusconi tupiniquim“, disse Stedile, em entrevista por telefone concedida a Paulo Henrique Amorim”. Leia o texto na íntegra aqui.

O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) publicou nota em repúdio às declarações do ministro Gilmar Mendes. “Nunca a sociedade brasileira ouviu do Ministro uma condenação aos grupos de latifundiários armados no campo ou a concessão de financiamentos públicos aos grandes grupos econômicos, que tem provocado o trabalho escravo, chacinas contra populações tradicionais e crimes ambientais. Dessa forma, o senhor Ministro Gilmar Mendes, estimula o processo de criminalização dos movimentos sociais e sindicais, unindo e fortalecendo politicamente os setores que atuam no sentido contrario à consolidação de uma sociedade livre, organizada e democrática”, condena.

Certamente, as mortes dos capangas não têm justificativas. Porém, fica difícil discordar quando o FNRA afirma que a violência no campo é resultado da morosidade do governo federal para promover a reforma agrária. Segundo o grupo, atualmente existem cerca de 250 mil famílias de sem-terras acampadas nas beiras das estradas. “Os recursos orçamentários da União destinados para a reforma agrária não dão conta desta demanda, apesar de estar comprovado que o Estado possui recursos suficientes para realizar a reforma agrária em menos de três anos. Adiar este processo significa promover e estimular a violência no campo, colocando em risco a vida de milhares de famílias brasileiras”, explica. Leia mais aqui.

O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), integrante da Frente Parlamentar da Terra no Congresso Nacional, afirmou nesta terça-feira (3) que Gilmar Mendes, deve se declarar impedido de julgar qualquer ação relativa ao MST. Dr. Rosinha cita o artigo 36 da lei complementar 35, em vigor desde 1979, que estabelece o seguinte: "É vedado ao magistrado [...] manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem[...]."

Em Pernambuco - O MST continua acampado na Fazenda Jaboticaba, cenário do assassinato dos quatro pistoleiros, e segundo a direção do movimento as famílias só deixarão a área depois que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Pernambuco (Incra-PE) garantir que vai realizar a medição do terreno.

Segundo o MST, após o último despejo realizado pela Polícia Militar, o fazendeiro contratou pistoleiros que foram no acampamento fazer provocações, armados. Perseguiram e espancaram um dos líderes do acampamento. Para a polícia, os homens tentavam tomar fotografias feitas por sem-terra, que os mostram armados circulando pelo terreno. Veja as fotos abaixo.

No mesmo dia, dois sem-terra foram presos em flagrante, Aluciano Ferreira dos Santos, 31 anos, e Paulo Alves Cursino, 62, que serão indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil. O resultado do exame de resíduo gráfico feito nesta segunda-feira, (2) pelo Instituto de Criminalística deu negativo para disparo de arma por Aluciano, o que não o isenta de ter utilizado uma arma ou participado do crime.

O coordenador do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, ao saber das declarações do presidente Lula, que considera “inaceitáveis” as mortes, disse que cada um tem direito de opinar sobre o caso, desde que conheça os fatos. “Lula tem o direito de exercer sua opinião. Mas, certamente, não disseram ao presidente que, na região, tem uma quadrilha fortemente armada que presta serviços aos fazendeiros. Certamente, não disseram também a Lula que o pessoal foi até o assentamento para matar os trabalhadores.”

Amorim defende ainda a tese de legítima defesa, mas admite exagero. “Acredito que os trabalhadores se defenderam. Nas duas últimas mortes (quando seguranças foram perseguidos pelos sem-terra e depois executados) acho que pode ter ocorrido um exagero. Mas, creio que eles pensaram que os dois iriam chamar outros pistoleiros para voltar ao acampamento e massacrar os trabalhadores”, avaliou.

Os sem-terra reivindicam as fazendas Consulta e Jabuticaba, em São Joaquim do Monte, alvo de nove reintegrações de posse. Dois dias antes do conflito, eles haviam sido despejados da Jabuticaba, mas a reocuparam. O líder do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, afirmou que cerca de 80 famílias de sem-terra continuam acampados dentro da fazenda Jabuticaba. O trato com o Incra, segundo ele, é de só deixarem a propriedade depois que o proprietário autorizar vistoria. Segundo o Incra, o proprietário diz que a área não chega a 250 hectares. O MST afirma que a área é improdutiva e tem em torno de 800 hectares.

Lembra?

Massacre do Eldorado dos Carajás - Em 1996, a ação da Polícia Militar do Pará deixou dezenove pessoas mortas na hora, outras duas morreram anos depois, vítimas das seqüelas, e outras sessenta e sete ficaram feridas. O legista Nélson Massini, que fez a perícia dos corpos, disse que pelo menos 10 foram executados. Sete lavradores foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões.

Acusado pelo fazendeiro Ricardo Marcondes de Oliveira de ter recebido propina do proprietário da Fazenda Macaxeira para matar os líderes dos sem-terra, o coronel Mário Pantoja, comandante da PM de Marabá, responsável pela operação que resultou no massacre, apenas foi afastado, ficando 30 dias em prisão domiciliar e depois liberado, por determinação do governador do Estado, Almir Gabriel (PSDB).

Nenhum fazendeiro ou jagunço foi indiciado no inquérito da Policia Civil, mas esta testemunha foi indiciada por falso testemunho. Na ocasião, o advogado Juvelino Strozake, do MST, em São Paulo, reagiu afirmando "que só está faltando o delegado indiciar os 19 lavradores que foram mortos pela polícia".

domingo, 1 de março de 2009

Manifeste-se contra a "ditabranda" da Folha de S. Paulo


Por Humberto Carvalho Jr.

Por motivos óbvios, a defesa da ditadura militar brasileira pela Folha de S. Paulo causou uma infinidade de protestos em publicações alternativas. O Movimento dos Sem-Mídia (MSM) vai organizar um ato em frente à sede do jornal em 7 de março, em protesto contra o uso do termo “ditabranda”.

O ato foi comunicado por Eduardo Guimarães no blog Cidadania.com. “É uma iniciativa que não pretende nem precisa reunir uma grande multidão para protestar contra essa perniciosa revisão histórica de um fato que, a meu juízo, deveria equiparar-se ao Holocausto nazista”, analisou. “

Segundo o Cidadania.com, entre as adesões ao protesto já constam o Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo, além de professores da USP e da Unicamp.

Com mais de 5.000 assinaturas, um abaixo-assinado de protesto, liderado por intelectuais como o crítico literário Antonio Cândido, pode ser acessado em:

http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/signatures-1.html 

Participe!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Celso Lungaretti: Folha diz que ditadura brasileira foi "Ditabranda"


Mal começou o carnaval, a mídia gorda, cansada dos ensaios, decidiu rasgar a fantasia e sair nua. Na última terça-feira (17), a Folha de S. Paulo, ávida por caracterizar o presidente Hugo Chávez (Venezuela) como ditador, publicou um editorial onde denomina de "ditabranda" o regime militar brasileiro, ironizando o termo "ditadura".

"Mas, se as chamadas 'ditabrandas' - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça -, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente", afirma grosseiramente o editorial.

O jornalista e escritor Celso Lungaretti  publicou em seu blog, Náufrago da Utopia, o artigo Nova falácia da Folha de S.Paulo: "Ditabranda" é a PQP!, denunciando mais este crime da mídia gorda de nosso país.

Antes, assista o vídeo abaixo, uma antiga propaganda do mesmo jornal. Note que nada mudou. Se mudou foi para pior.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Arte contra a hipocrisia

“A realidade não é polêmica, a imagem é que é polêmica. Quando você mostra, choca; estranho, né? É a lógica da sociedade hipócrita e doente; tem certas coisas que a gente sabe que existem, mas não pode externar, não pode colocar numa imagem e mostrar”, disse o chargista Carlos Latuff, em entrevista publicada em agosto do ano passado no website Fazendo Media.

Veja outras charges de Lattuf aqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Oposição desesperada acusa governo de antecipar campanha eleitoral

Por Humberto Cavalho Jr.

Preocupada com o crescimento da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2010, a oposição acusa o governo federal de fazer campanha eleitoral. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), garantiu que moverá uma ação contra o presidente Lula e a ministra no Tribunal de Justiça Eleitoral (TSE).

Entendemos que o abuso dessa semana se tornou insuportável. Vamos entrar com essa ação no TSE para questionar essa conduta”, reclamou Maia, referindo-se a um stand de fotomontagem que cobrava R$ 30 por uma fotografia com o presidente Lula e a ministra Dilma, instalado próximo ao local onde acontecia o Encontro de Prefeitos (Brasília). A subchefia de assuntos federativos da Presidência da República informou que o stand de fotos não tem relação com o evento.

O crescimento de Dilma entre de 10,4% para 13,5% de dezembro para janeiro, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada no início deste mês, parece não ser o único motivo do desespero dos tucanos, demos e seus coadjuvantes. O mesmo grupo de pesquisa anunciou mais um recorde de aprovação do presidente Lula (84%), ainda maior que em janeiro de 2003, quando assumiu o governo. Recorde, por sinal, ignorado pela Rede Globo de Televisão.

Ontem, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso repetiu quatro vezes, em dez minutos de entrevista, que o presidente está em campanha e "a lei não permite”. FHC está dentro das eleições de 2010, mas não como candidato, já que seus índices de rejeição não permitem. Desta vez, a missão do ex-presidente é fortalecer a operação moto-Serra.

De acordo com o jornalista Bernardo Joffily, embora se tenha a imagem de FHC com um presidente de honra do partido e uma espécie de eminência, recebido com homenagens e rapapés, há indícios de que sua influência real é declinante. Ele lembra que última campanha eleitoral ninguém o convidou para subir ao seu palanque, também devido ao fator rejeição (leia o texto na integra aqui).

A aflição de Fernandinho reflete o racha interno do PSDB, amplificado pelas críticas do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, às mobilizações da cúpula do partido para cancelar as prévias da legenda. De acordo com o website Vermelho, a reeleição foi classificada como ilegítima por 19 dos 57 parlamentares da sigla, e o saldo foi a criação de uma ala dissidente, denominada “Movimento Unidade, Democracia e Ética” (Leia aqui).

Não mente quem diz que a campanha eleitoral de 2010 começou mais cedo, sobretudo se considerarmos o Partido da Imprensa Brasileira, o PIB, que desde a reeleição do presidente Lula fabrica crises para desgastar o governo. Logicamente, com a aproximação do ano eleitoral acirram-se as animosidades e os ataques vão se tornando mais freqüentes, também mais intensos, o que esclarece facilmente a omissão da Globo em relação ao novo recorde de aprovação do presidente ex-metalúrgico.

PSDB, DEM (ex-PFL) e PPS fecharam uma aliança no ano passado com o objetivo de disputarem juntos as eleições de 2010 e anunciaram que pretendem conquistar o apoio de alguns partidos da coalizão governista, como o PMDB. Até aí, nada novo. O PMDB é o maior partido do país, está ainda mais nutrido comandando as duas Casas Legislativas e provavelmente irá indicar o vice de Dilma. E ainda nenhuma novidade, fora o desastre do próprio fato em si.

O PMDB, que desde o fim da ditadura militar não apresenta um candidato próprio, está sempre do lado do poder. Com base no histórico do partido, as pesquisas apontariam qual candidato seria apoiado. Mas, ao menos dessa vez, não será tão simples. Enquanto o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia trabalha para levar o partido a apoiar a candidatura de José Serra, o ministro da Integração Geddel Vieira Lima (Ba) defende a manutenção da aliança com o PT.

Ainda esta semana, Geddel disse que gostaria de ser o “Dilmo da Dilma”, comentário que despertou duas possibilidades: a Casa Civil e a vice-presidência. Para Quércia, o ministro deveria apoiar Serra e se candidatar a governador da Bahia, possibilidade que não pode ser ignorada. Uma publicação do diretório estadual do PMDB-Ba lançada este mês, em sua primeira edição com oito páginas, citou 27 vezes o nome do ministro e publicou três fotos de Geddel.

Na Bahia, o clima entre PT e PMDB ainda é de guerra desde a última disputa pelo Tomé de Souza (Salvador), quando o governador Jaques Wagner e o ministro da Integração se desentenderam. Se Geddel ganhar o cargo de vice na chapa de Dilma, fica fácil resolver o imbróglio. A velha paulada que desgraça dois coelhos ao mesmo tempo.

 Leia também o artigo “A campanha eleitoral de 2010 está no ar”, do sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Mino Carta despede-se e critica o governo Lula

Por Humberto Carvalho Jr.


“Isto tudo me leva a uma conclusão desoladora, embora saiba de muitíssimos leitores generosos e fiéis: minha crença no jornalismo faliu. Em matéria de furo n’água, produzi a Fossa de Mindanao, iludi-me demais, mea culpa. Donde tomo as seguintes decisões: despeço-me deste blog e, por ora, calo-me em Carta Capital”, afirmou o jornalista ítalo-brasileiro Mino Carta, despedindo-se dos seus leitores nesta quarta-feira (04).

Em “a despedida”, artigo publicado em sua página pessoal, Blog do Mino, o jornalista não esconde a verdadeira razão de seu afastamento da mídia. Mino, apesar de sua respeitada trajetória na mídia brasileira, foi alvo de duras críticas por condenar a decisão do ministro Tarso Genro em conceder asilo político ao também italiano Cesare Battisti.   

Em tom autobiográfico, Mino lembra momentos da política nacional e critica a administração conciliadora do governo Lula. “O balanço de seis anos de Lula no poder não é animador, no meu entendimento. A política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola. Há quem diga: já é alguma coisa”, lamentou.

Mino Carta dirigiu a criação de importantes publicações da imprensa brasileira, como Quatro Rodas, o Jornal da Tarde, VejaIstoÉ e Carta Capital, da qual ainda é diretor de redação.

Leia o texto na íntegra aqui.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Israel continua plano de limpeza étnica na Palestina

Por Humberto Carvalho Jr.


Enquanto o “oci-duente” pega carona na caravana da “obamania” guiada pela mídia gorda, Israel dá continuidade ao processo de limpeza étnica na palestina. Na mannhã desta quinta-feira, o bombardeio das Forças Aéreas israelenses feriu nove palestinos, na cidade de Khan Yunes, no sul da faixa de Gaza. Entre as vítimas, sete são crianças, segundo testemunhas e fontes médicas.

O documentário Occupation 101: Voices of the Silenced Majority [Ocupação 101: Voz da Maioria Silenciada], dirigido por Sufyan Omeish e Abdallah Omeish, e narrado por Alison Weir, fundadora do If Americans Knew, aborda a questão israelo-palestina a partir do surgimento do movimento Sionista até a segunda Intifada, bem como as relações entre Israel e Estados Unidos e as violações dos direitos humanos e abusos cometidos por colonos e soldados israelenses contra os Palestinos.

No filme, ainda, historiadores, ativistas pela paz, jornalistas, trabalhadores humanitários e especialistas analisam a ocupação do território palestino. Assista Occupation 101 na íntegra, abaixo:

Site oficial do documentário:

http://www.occupation101.com/

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Morales vence referendo mas oposição não aceita

Por Humberto Carvalho Jr.


Apesar de todas as pesquisas de boca-de-urna realizadas por emissoras de rádio e televisão (privadas e estatais) apontarem a vitória do “sim” no referendo constitucional, realizado na Bolívia no último domingo (25), opositores consideram-se vitoriosos e exigem que seja reconhecida a autonomia dos departamentos onde o governo Morales não conseguiu vencer.

O resultado oficial do referendo pode levar até dez dias para ser divulgado. Porém, diante do resultado parcial apresentado pelas pesquisas de que  o "sim" vencera com cerca de 60% dos votos, antes mesmo do início da contagem dos votos, os líderes oposicionistas, desolados com a possível vitória do governo apelaram para a depreciação do processo eleitoral, alegando que havia indícios de fraude na votação, hipótese logo descartada por diversos observadores internacionais e pela Corte Eleitoral Nacional.

Mario Cossio, governador de Tarija, um dos departamentos (Estados) separatistas da Bolívia, disse que o presidente Evo Morales não tem poder suficiente para impor o resultado do referendo a todo o país. “Ele será obrigado a fazer algum tipo de pacto”, afirmou.

Ao mesmo tempo em que os líderes de direita tentavam invalidar o pleito, aconteciam festejos e carreatas nas cidade em que a oposição de direita conseguiu derrotar o “sim” à nova Carta Magna Boliviana.

Os governantes dos departamentos separatistas - Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando -, onde certamente triunfará o “não”, reclamam o reconhecimento das autonomias departamentais. Estes departamentos, no ano passado, foram palco de perseguições e assassinatos de camponeses e militantes pró-Morales.

Enquanto a imprensa brasileira se preocupava com possibilidade de corte do fornecimento de gás natural ao Brasil devido a crise na Bolívia, mais de 30 bolivianos foram assassinados na Província de Pando, em mais um 11 de setembro esquecido pelo ocidente. Os crimes foram atribuídos a Leopoldo Fernández,  político de extrema direita, membro do Podemos, partido que integrou o segundo governo do general Hugo Banzer Suárez (1997-2001). Leia mais aqui

 

Para esse pequeno grupo de inconformados, defensores da  plutocracia, só pode ser caracterizado como governo democrático, quando um deles está no poder. A aprovação da nova Carta Magna assombra a população de classe média e alta boliviana, obviamente, porque o texto pretende dividir o poder com maioria da população boliviana, composta por camponeses e índios. Somente os índios representam 55% dos 10 milhões habitantes do país.

De acordo com o website Brasil de Fato, esta foi a primeira vez em 183 anos de vida republicana que os bolivianos foram convidados a participar de um referendo sobre a Constituição. Dos cinco referendos convocados nestes quase dois séculos, 40% foi realizado pelo atual governo, que completou três anos no último dia 22.

Morales, que esperava aprovar a nova Carta com mais de 70% dos votos, disse que não importa a margem, e, sim, a vitória. “Terminou o estado colonial, acabou o colonialismo interno e externo, também terminamos com o neoliberalismo, acabou o leilão dos recursos naturais", comemorou Evo. Assista o vídeo abaixo. 

 

Como não pôde omitir um acontecimento de tamanho interesse público, o Partido da Imprensa Brasileiro (PIB) perpetrou uma campanha na tentativa de distorcer as intenções do documento. Então, em mais um capítulo de “como 'não' fazer jornalismo”, a Folha republicou um artigo da BBC Brasil, criticando algumas das alterações  previstas na nova Constituição boliviana (divirta-se aqui).

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Estudantes israelenses são presos por recusarem o alistamento

Por Humberto Carvalho Jr.

Os Shministim, jovens secundaristas israelenses que rejeitaram o alistamento no exército de Israel por “objeção de consciência”, estão presos por se oporem à guerra na Palestina. Além da prisão, esses estudantes enfrentam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel.

Não estou disposta a me tornar parte de um exército de ocupação que é invasor de terras estrangeiras há décadas, que perpetua um regime racista de roubo nessas terras, tiraniza civis e torna a vida difícil para milhões sob um falso pretexto de segurança”, afirmou Tamar Katz, umas das garotas presas por recusar o alistamento.

Os Shministim pediram ao grupo "Jewish Voice for Peace", organização judaica que se opõe à ocupação da Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, buscar pessoas em todo o mundo para pressionar o governo de Israel. Eles esperam receber centenas de milhares de cartas que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel.

No dia 18 de dezembro foi iniciada uma campanha mundial pela libertação dos Shministim. Assista o vídeo abaixo e entenda porque esses corajosos jovens israelenses não aceitam servir ao exército de seu país.

A campanha, a carta de apoio e as histórias destes jovens estão no website www.december18th.org. Participe!