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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Democratização dos meios de comunicação


Por Humberto Carvalho Jr.


Fingindo desconhecer as medidas necessárias para democratização dos meios de comunicação de massa, o Governo do Estado da Bahia deu um passo à frente do Governo Federal. No último sábado (02), encerrou-se o ciclo de plenárias territoriais da 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia, marcada para os próximos dias 14, 15 e 16. O evento, de acordo com a Agência de Comunicação do Estado da Bahia (Agecom), pretende iniciar os debates sobre diretrizes para políticas públicas de comunicação como fator de inclusão social e cidadania. Robinson Almeida, Assessor Geral de Comunicação Social do Governo da Bahia, um dos idealizadores do projeto, espera que o projeto fomente uma conferência nacional.

A iniciativa é interessante, sobretudo no momento em que o Ministério das Comunicações (Hélio Costa – ex-Globo) posiciona-se deslavadamente em proteção ao monopólio das comunicações, autorizando o fechamento de rádios comunitárias com a pífia desculpa de que essas emissoras, criminosamente denominadas “piratas”, podem provocar acidentes aéreos. A preocupação dos grandes veículos de comunicação, e logicamente do ministro Hélio Costa, está longe da mais remota possibilidade de as rádios comunitárias causarem acidentes de aviões. O que os deixam insones é o medo de ter que entregar o tesouro aos piratas, dividir o capital publicitário com os meios de comunicação alternativos.

Ainda na semana passada, duas matérias veiculadas no Jornal Nacional sustentavam a hipótese de que as rádios “piratas” podem derrubar aviões. Faltaram imagens de arquivo, gravações de caixas-pretas ou documentos secretos que provassem que as interferências de uma rádio, fosse ela de qualquer “pirata” ou não, já tivesse provocado um acidente do tipo em algum lugar no mundo.

Apesar de a 1º Conferência de Comunicação Social da Bahia abordar um tema de tamanha relevância para a população, nenhum dos veículos de comunicação cobriu o evento. Vê-se, logo, o interesse da mídia baiana em disponibilizar-se a discutir políticas públicas que a regulem, que permitam ao povo conhecer e saber usar o seu direito à comunicação. O coronelismo na Bahia não se encerrou com a morte de Antonio Carlos Magalhães.

Se é difícil acreditar na possibilidade de que este projeto do governo baiano, de fato, conseguirá desenvolver políticas de comunicação que viabilizem a regulamentação dos meios de comunicação, visando a democratização da mídia local, imagine no âmbito nacional. Não esperaria pelo Vale a Pena Ver de Novo. A novela é antiga. Como toda tentativa de regulamentação dos meios de comunicação, qualquer projeto com este intuito será rechaçada pelos defensores da LIBERTINAGEM de imprensa.

3 comentários:

Marquês de Sade disse...

Já tiraram tudo da IMPRENSA, E AGORA APARECE ALGUÉM QUE É CONTRA A LIBERTINAGEM? SÓ FALTAVA ESSA! O TEXTO ESTÁ ÓTIMO!

Felipe Pessoa disse...

Gostei do texto, Humberto!! Continue escrevendo.
Quanto a democratização dos meios de comunicação, acredito q os veículos daqui já deixam a desejar na cobertura dos fatos q acontecem na cidade. E de que já está mais do que claro, que as pessoas já perceberam isso.
Não é a toa que os bairros periféricos estão criando seus próprios jornais para informar melhor as pessoas do bairro.
E infelizmente, quando acontece uma plenária deste porte na cidade, os grandes veículos ficam receiosos de divulgar ou cobrir o evento por estar em jogo o seu espaço já conquistado.
Ou deixar a população ficar mais burra ou desinformada para continuar obedecendo q nem cachorro.
Mas, felizmente isso não vai mais acontecer, pois a internet já oferece tudo o que pessoas desejam saber.

Vinícius Sampaio Brandão disse...

Humberto, não te conheço mas parabéns pelo texto. Gostei muito de saber o outro lado da moeda, pois como não sou da área da comunicação (sou profissional de saúde), muitas vezes termino enganado com a veiculação de algumas notícias, como muitos brasileiros. Mas apesar de tudo, a internet pode ser um grande veículo popular, dependendo apenas da democratização desse meio de comunicação.
Abraço