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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Saiba como identificar um direitista incubado


Reproduzo, abaixo, um artigo do jornalista investigativo Leandro Fortes, publicado no website da Carta Capital. Sob o título "Direita, eu?", o texto ensina como identificar "militantes" da direita, já que estes nunca se assumem como tal.

Direita, eu?

Por Leandro Fortes*

Chega a ser engraçado essa coisa de, no Brasil, ninguém ser de direita. Por aqui, alguém só se diz de direita quando quer chocar ou demonstrar certa ferocidade política e pessoal do tipo “sou de direita mesmo, vai encarar?”. Coisa de cabo eleitoral da TFP e bestas-feras do gênero. Mas a regra é diferente. Quem é de direita só abre a boca quando percebe receptividade no ambiente. Mais ou menos como quem é racista.

Normalmente, para se identificar alguém de direita é preciso observar o conjunto dos atos e o tom do discurso, uma mistura de falsa simulação ideológica que inclui, necessariamente, a negação das divisões políticas ou, no limite, a própria negação da política. Dessa forma, ao ser questionado sobre pendores ideológicos, o indivíduo de direita se sai sempre com o clichê da queda do muro de Berlim – embora a maioria apenas desconfie, ligeiramente, do verdadeiro significado do evento e do processo que o deflagrou. Depois da queda do muro de Berlim, portanto, não tem mais direita nem esquerda, é tudo muito relativo. Outra saída é dizer que odeia política, que é apolítico (?), que político é tudo canalha, que não vai mais dar o voto para ninguém. Mentira: vai votar na direita.

No Brasil, há casos clássicos de políticos e intelectuais que migraram para a direita, um pouco pelo desencanto do comunismo, pela perda natural dos ideais que a idade provoca, mas muito pela oportunidade de ficar rico ou fazer parte da elite nacional que toma uísque escocês e freqüenta balneários de luxo, ainda que forma subalterna e humilhante. Não é preciso citar nomes, mas muitos pululam pelos parlamentos, partidos políticos e redações de jornais. Pergunte a qualquer deputado ou senador se ele é de direita, e não vai aparecer nenhum.

Todo mundo tem uma desculpa para não ser de direita, mesmo os mais conservadores e reacionários, mesmo as viúvas da ditadura militar, mesmo os risíveis neodemocratas de plantão. Todos vão dizer que esquerda e direita não existem mais. Que depois da queda do muro de Berlim, etc,etc,etc.

A verdade é que ninguém quer se admitir de direita porque, no Brasil, ou em qualquer outra nação latino-americana que tenha sido submetida a regimes neofascistas comandados por generais, ser de direita tem pouco a ver com a clássica postura liberal econômica ou com a defesa das leis de mercado. Tem a ver é com truculência, violência, racismo, fundamentalismo religioso, obscurantismo político, coronelismo, ódio de classe e, é claro, golpismo.

Por isso há tão poucos direitistas assumidos. Assim, de cabeça, aliás, não lembro de nenhum. Ah, de repente me lembrei de uma confissão antológica do ex-deputado Wigberto Tartuce, o Vigão, parlamentar do PTB brasiliense, de riquíssimo prontuário policial, temeroso de ser confundido na multidão: “Eu sou de direita, mas sou honesto”. Até agora, a única confirmação das autoridades policiais é a de que Vigão é mesmo de direita.

* Leandro Fortes é jornalista investigativo da revista Carta Capital, onde publicou diversas reportagens de capa revelando crimes de corrupção na política nacional e outros. Mantém o weblog Brasília, Eu Vi.

4 comentários:

Bruno disse...

Há ainda os direitistas do PT, travestidos de esquerda ou de sociais-democratas, esta última, aliás, uma vocação também já perdida pelo Partido dos Trabalhadores(?)...

Julio Cesar disse...

Seleção brasileira de direitistas incubados ou não:
Arnaldo Jabor
Alexandre Garcia
Míriam Leitão
William Waack
Mônica Waldvogel
William Bonner
Fátima Bernardes
Cristiana "Colgate" Lobo
Merval "Freud" Pereira
Ricardo Noblat
Lúcia "Manguaça" Hypólito
Bóris "Lixão" Casoy
Fernando "Corote" Mitre
Ricardo "Pé na bunda" Boechat
Reinaldo Azevedo
Diogo "Gago" Mainardi
Otávio "Ditabranda" Frias
Gilberto "Ong" Dimenstein
Hebe "Capacete" Camargo
Regina "Apavoradinha" Duarte
Carlos Nascimento
Ali "Pornô" Kamel
Caio Blinder
FHC
José "Alagão" Serra
Agripino Maia
Tasso Jereissati
Artur Neto
Kátia Abreu
Marconi Perillo
Ronaldo Caiado
Blá blá blá blá

Alberto Bilac disse...

Caros do Blog,

Leiam mais um capítulo da série A Idade das Trevas, no blog http://terragoyazes.zip.net. No ar e na rede: Daniel Dantas como modelo de empreendedorismo e de como os oligarcas tucanos saquearam o Estado!

Anônimo disse...

Luis Alberto on 15 de abril de 2010 20:31 comentou no jornal os municipios esses palavras
Este artigo é de um analfabetismo funcional sem igual, de um pseudo-intelectualismo maior ainda. Eu sou de direita, conservador e honrado. E fico aguardando o esquerdista que quiser debater comigo respeitosamente em: http:://luisalbertopereira.blogspot.com
Provo a quem quer que seja que esquerdismo e moral são imcponativeis.
Fico aguardando lá. Cordlamente.
Ah, publicarei ese lixo em meu blog e vou analisá-lo sob á ótica psicótica de um esquerdista.